CENTRÍFUGA

1.9.09

IGC

Saiu a lista do MEC com o IGC - índice que avalia os cursos de graduação e pós-graduação das instituições de ensino superior brasileiras.
A lista completa pode ser acessada aqui:
http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/igc_embargos.xls
Como se saiu a instituição que você estuda?

11.8.09

UM ADEUS


Ficarei com saudades...

2.8.09

ACONTECE

8.3.09

Finalmente 2009

Passado o Carnaval, eis que o ano, finalmente, inicia. Pelo menos no Brasil isso é verdade. Mas a comemoração veio logo com um novo feriado... Pelo menos no Estado de Pernambuco. A Data Magna pernambucana é no dia 6 de março. Comemoremos! Normal, afinal não temos feriados suficientes em nosso calendário, não é? E para quê trabalhar mais, nessa época em que crise não há mundo afora? A bonança, pelo menos de acordo com nossos líderes marolinhas, está aí para todo mundo ver.
Mas, sarcarmos à parte, quero dar boas vindas a 2009 e dizer que, em breve, estarei de volta escrevendo neste blog.
Abraços aos amigos!

26.2.08

NÚS PELO PLANETA

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O que você pode fazer para ajudar a salvar o planeta? Eles tiraram a roupa, mas há outras formas. Pense, discuta o assunto, aja.

21.2.08

Padres do Brasil pedirão ao Vaticano o fim do celibato

Aborto, uso de camisinha, casamento gay. Estes são alguns dos tabus que a Igreja Católica tem dificuldades para lidar. Discussões em torno do assunto fazem com que a sociedade escolha um lado. Ser a favor ou contra. Agora, o Papa Bento XVI terá um problema para resolver. Padres brasileiros pedirão ao Vaticano o fim do celibato.

O assunto foi decidido durante o Encontro Nacional de Presbíteros, realizado nessa semana no interior de São Paulo. A idéia é a busca de alternativas para o celibato, entre elas, a ordenação de homens casadas e a readmissão de padres que deixaram as suas funções, casamento a Igreja, para casarem e constituírem famílias.

Mas a decisão não foi acatada sem o apoio geral dos padres brasileiros. O projeto foi aprovado por 430 delegados que representam nada mais nada menos do que 18.685 padres, das mais de 250 dioceses espalhadas de Norte a Sul do país tupiniquim.

Sobre este tema um questionamento: Será que a idéia dos párocos é possível? A mídia já fez várias entrevistas sobre o assunto, antes mesmo dessa idéia “polêmica”, ela já questionou representantes da sociedade civil e religiosa. Claro que não há unanimidade. Ideais, visões de mundo, dogmas, tudo poderá ser modificado conforme decisão. Alguns alegam que casar e comandar uma missa são tarefas quase impossíveis de serem realizadas, devido a grande quantidade de obrigações. Outros acreditam que ser padre é uma profissão como qualquer outra, é por isso, o matrimônio é possível.

Sabemos que teremos longos embates pela frente. Resta-nos esperar a opinião pública, que lado a mídia vai escolher. Num país em que há um grande número de pessoas que se dizem católicas, porém poucos atuantes, teremos muito que refletir. Vamos ouvir ainda a reação do Papa Bento XVI e de toda a cúpula do Vaticano. As coisas estão mudando, hoje e sempre, resta saber se a posicionamento da Igreja Católica, tão conservadora com assuntos ligados à sexualidade, por exemplo, conseguirá avançar.


Klever Schneider

10.2.08

PÓS CARNAVAL

RESSACA DE UMA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Por BETTO QUENTAL

PASSOU O CARNAVAL.
A FESTA ACABOU, E O POVO FICOU A VER NAVIOS.
E AGORA, O QUE FAZER? NÃO HÁ MAIS TROÇA
NÃO HÁ MAIS FREVO... QUE SE OUVE DE ANO EM ANO!
CADÊ, A NEGA DE ONTEM À NOITE?
SUMIU DE REPENTE EM MEIO À MULTIDÃO SEM DEIXAR
CAIR A SAPATILHA.
EITA! CACHAÇA DA GOTA SERENA!
ESSE CARNAVAL SÓ VEM PRA DEIXAR SAUDADES.
O CHÃO QUENTE E OS PÉS N’ AVENIDA.
QUEM SE IMPORTAVA?!... SE OS CORAÇÕES ESTAVAM FERVENDO E SE TUDO TINHA PERNAMBUCANIDADE.
LÁ, VINHAM BATUQUES DESCENDO A LADEIRA,
FREVAVAM MOLEQUES MULAMBOS, SEDÕES E ALMOFADÕES......
CANTO DE EMOÇÃO, CANTO DE FOLIÃO.
ADEUS, MENINA DOS SEIOS DE FORA!...SE PARA O ANO QUE VEM
A GENTE NÃO SE ENCONTRAR!... ATÉ O ANO QUE VEM, PANDEIRO,
VIOLA, METAIS, SURDO, CAIXA, TAMBORIM, CANÇÕES DE TODAS AS CADÊNCIAS.
ADEUS, CARNAVAL! ADEUS MEU!...OOOPPPS!
QUE ADEUS NADA! ...BREQUE ATÉ FEVEREIRO CHEGAR!
É QUE NA SOMBRA DO SOL COBREM-SE
CARAS E MASCARAS DA REALIDADE,
QUE SE DESNUDA NESSE FANTÁSTICO E MÍSTICO CARNAVAL.

CARNAVAL ARTE DO POVO
Por BETTO QUENTAL

PELAS RUAS DA CIDADE
O BATUQUE COMEÇA
NAS LATAS DOS MOLEQUES
E A AURORA ANUNCIA
O RECIFE NO CANARVAL.
OUTRA VEZ
MARACATU, CABOCLINHOS.
FREVO RASGADO
BANHA A CULTURA POPULAR
COM O SUOR PERNAMBUCANO,
QUE EM FOLIA FANTASIA
MULAMBOS EM SEDÕES.
E SUAS ALEGRIAS
GIRAM O MESMO ESTANDARTE
DA FREVANÇA
QUE DANÇA, QUE GIRA,GIRA
E ENCANTA AS ÁGUAS NASCENTES
CAPIBARIBE TRAZENDO
O CARNAVAL, ARTE DO POVO.

Betto Quental: betto.q@gmail.com

23.1.08

É FESTA

Olha o Carnaval aí gente! Por todo canto que se anda já é festa. Não dá nem para sair de casa sem saber se ali na esquina a nossa passagem será impedida por alguma troça ou bloco de rua que, sem aviso, estará fazendo uma grande farra. O Recife é assim. Quem não conhece, fique sabendo. A cidade, a semelhança de outras capitais carnavalescas como Rio e Salvador, tem seu ritmo totalmente alterado já nas semanas que antecedem os festejos de Momo.

Para quem está a passeio é uma pândega. Para quem vive aqui e curte uma farra é o momento de se esbaldar. Mas para uma grande maioria de pessoas que trabalha e vive a batalha do dia-a-dia em busca da sobrevivência essa festa, que, por vezes, é sinônimo de bagunça, pode ser um grande contratempo. As paradas de ônibus mudam, ruas são interditadas (ou não) para dar lugar a uma massa ébria sacolejando ao som do Frevo (pelo menos se privilegia o Frevo); a violência explode em certas áreas da cidade, menos observadas pelo poder público; a mídia deixa certos assuntos importantes de lado para exaltar o Carnaval; ninguém pensa em mais nada além de festa e esbórnia, e, assim, deixa-se que o ano comece, de verdade, apenas depois do primeiro dia útil após a quarta-feira de cinzas (a quinta e sexta não contam!).

Pelo menos esse ano o calendário trouxe logo o Carnaval para o início de fevereiro. No frigir dos ovos, caro povo brasileiro, ganhamos quase um mês de dias úteis em nosso 2008. Some-se a tal fato que nesse ano teremos menos dias gastos com feriados e imprensadinhos de segundas e sextas-feiras.

Mas não há de se ver apenas fatores negativos em uma tradição tão brasileira como o Carnaval. Logicamente que se destaca a força da cultura popular, principalmente em manifestações tão espontâneas, hilariantes e divertidas como as que são presenciadas no Carnaval de Pernambuco. Aqui não há abadá, cordão de isolamento, ingressos caríssimos para assistir desfiles de escola de Samba ou algum baile regado a drogas e pornografia. Em Recife, Olinda e várias outras cidades pernambucanas, a diversão está na rua. Para quem não pode ou não quer gastar muito, basta pegar um ônibus e ir curtir a folia nos pólos de animação. Nesse aspecto dêem-se os parabéns para a Prefeitura do Recife, que anda fazendo sua parte. Cansou dos agitos? Basta ir dar um tempo na praia ou passear em algum parque ou lugar que esteja fora da rota da folia. Há vários.

Também a economia do Estado comemora com esse período de festa. Muitos turistas, hotéis cheios, um sol e calor “formidáveis” para satisfazer nossos visitantes. Até para aqueles que não têm seus empregos fixos, com carteira assinada, a época é de oportunidade para ganhar algum dinheiro.

Diante da inevitabilidade do Carnaval - que sempre será o xodó do brasileiro - e suas conseqüências, a coisa certa a fazer é, na medida do possível, aproveitar esse momento de lirismo e fantasia e relaxar. Gozar verdadeiramente a festa. Ver os amigos, tomar umas e outras, arriscar um ou dois passos de Frevo, subir e descer algumas ladeiras. Sempre com as devidas recomendações de evitar o exagero e não cometer nenhuma barbeiragem que leve ao posterior arrependimento.

EXCELENTE CARNAVAL PARA TODOS.

7.1.08

AGIR

A vida é repleta de charadas. Enigmas por vezes complicados de serem solucionados. Frequentemente nos deparamos com situações que requerem uma alta dose de equilíbrio e força de vontade para chegar a uma solução que nos coloque num caminho que leve em direção à felicidade.
Ainda há de se colocar a necessidade de mantermos nossa identidade em todo esse processo. É quando se coloca em prova nosso caráter, nossa criatividade e poder de adaptação. As mudanças que vêm junto a tais situações-limite são inevitáveis. Trazem desafios e colocam nosso livre arbítrio para agir. Alguns se perdem nessa trilha. Outros não. Mas isso é um risco do qual não se pode fugir, sob pena de não continuar seguindo em frente. Agir, na maioria dos casos, é mais frutífero do que não agir. Pelo simples fato de evitar o arrependimento no futuro.
Claro que se lançar em uma empreitada de importância não pode carecer dos cuidados de praxe, dentro da medida do possível. Dos fatores previsíveis devemos dar conta. Daqueles que não se podem prever, basta criar alguns planos “b” e ajustar a receita ao longo do preparo. O que não se pode nunca fazer é perder o sonho de vista.

O ano novo que inicia é uma oportunidade de fazer as mudanças acontecerem. Para tanto alguns sacrifícios, algumas dificuldades, quem sabe sofrimentos, sejam inevitáveis. Mas nada na vida vem de graça. Quem ainda não se deu conta disso, trate logo de colocar a cabeça no lugar.
Vejo exemplos acontecerem. Sucessos conquistados duramente. Insucessos inevitáveis. Gente que tem tudo fácil e são felizes. Outras nem tanto. Alguns pobres de posses, porém felizes. Quase todos os pobres de alma, infelizes. Não há regra definida para o que o universo comete. E como cada um tem o poder de tentar construir um futuro melhor, que os caminhos sejam diferentes, díspares na individualidade, porém unos no objetivo amplo, que é alcançar a felicidade.
Desejo a todos um 2008 tão bom ou melhor que 2007.

24.12.07

FELIZ NATAL

Muita paz, tranquilidade, presentes, amor, comidinhas, risadas, cigarrinhos, quiçá uma cervejinha e um espumante, beijos, abraços, carinho, Jesus no coração, telefonemas, lembranças, saudades...

ufa...

e apenas para em 2008 tudo começar de novo...

E se assim tem que ser, que seja da melhor forma possível...
A paz que fazemos por merecer.
A tranquilidade que conseguimos conquistar.
O presentes que a vida nos dá e que sabemos aproveitar.
O amor que temos por nós mesmos e que passamos também para os amigos.
As comidinhas de sempre, bem acompanhado, claro!
Os cigarrinhos até que a consciência fale mais alto.
Cervejinha é de regra! O espumante para ocasiões especiais...
Os beijos nas pessoas certas. Abraços e carinho também, de preferência.

Jesus no coração o ano todo!
Telefonemas que damos e recebemos, cheios de boas notícias.
Lembrança boa daqueles que se foram e dos bons tempos vividos, sem arrependimentos, apenas com o velho sentimento de saudade, mas desprovida de melancolia.

O virar do ano é apenas um símbolo, uma convenção. Mas que a energia dessa virada seja suficiente para que as esperanças de uma vida melhor sejam renovadas. A luta continua e e para os amigos estou aí para o que der e vier. É só chamar.

20.12.07

E A VEZ DO ARTISTA?

Por ocasião do Recife Mix, tive a oportunidade de entrar em contato com vários artesãos e artistas que vivem da cultura na cidade do Recife e adjacências. Como organizador do evento, fazia parte das minhas atribuições conversar com esse pessoal e absorver tudo quanto fosse de estórias e experiências de vida de um grupo de brasileiros trabalhadores que lutam por um espaço ao sol, nesse emaranhado burocrático e problemático que é a cultura no Brasil.

Senti quão válida é a iniciativa de um evento como o Recife Mix para a saúde profissional de muitos artesãos, estilistas e designers. Recebi de vários deles a cobrança de um evento mensal que reunisse as mais variadas vertentes da nossa cultura em um espaço democrático que propiciasse um ambiente adequado para serem exibidos os produtos derivados da criatividade de nossos artistas. Essa cobrança seguiu-se muitas vezes de agradecimentos pela iniciativa e de efusivos “vivas” em relação ao resultado alcançado pelo evento no último final de semana, em especial no domingo – quando a feira recebeu seu maior público.

Em parte, tal reivindicação reflete o apuro que muitos artesãos estão passando por conta do monopólio de certos eventos de grande porte (como a Fennearte, Febraarte e outras Expo que surgem a cada ano) que em alguns casos conseguem um sucesso de público e propiciam excelentes vendas aos expositores, mas invariavelmente cobram taxas altíssimas para quem participa – apesar de contarem com excelentes patrocínios e apoios. Some-se a isto o fato de que a imagem que tais “mega feiras” estão vendendo é a do velho e bom “produto baratinho”. Tal prática pode até funcionar para alguns artesãos que procuram desenvolver uma linha de produtos de baixo custo, a fim de ter seu lucro garantido. Mas há certos artistas que não trabalham com uma matéria-prima de baixo custo. Ou que produzem peças tão únicas e bem acabadas que a recusa em vender por qualquer tostão é plenamente justificável. A saída que muitos encontram é participar de eventos menores que lhes tragam alguma visibilidade e olhares mais atentos à qualidade e originalidade em detrimento do “precinho camarada”.

De minha parte, seguindo o ponto de vista de um produtor de evento cultural, acho válido salientar a dificuldade que há para conseguir apoio financeiro. Tanto da iniciativa privada, quanto do poder público. Repetidas vezes esbarro na necessidade de um conhecimento político ali e acolá, para obter este ou aquele apoio. A coisa não é fácil. A Secretaria de Turismo do Recife, numa excessão, cedeu o Terminal Marítimo para abrigar o evento em 2007. Espero que as coisas continuem acessíveis. Cultura não deveria ser misturada com política de forma tão intrínseca. Mas é o que acontece na praxe. Coloco também a falta de um espaço que abrigue de forma confortável e permanente uma reunião de artistas e profissionais da cultura. Não apenas artesanato, moda e decoração: que seja dado o devido espaço para a dança, a música em todas as suas vertentes, o teatro, o cinema, a fotografia etc. Nosso povo tem muito a mostrar. Precisamos todos começar a querer ver.

17.12.07

Jarbas Vasconcelos, o Soberbo: a conversão do senador em escravocrata e vampiro da saúde pública

Por Luís Manuel Domingues


O Senador Jarbas Vasconcelos é mais bem acabada metamorfose ambulante da política brasileira nas últimas duas décadas. Transitou de político que se insinuava com espectro de esquerda para condição de falangista da seara mais carcomida da direita e do reacionarismo político brasileiro. Basta lembrar as espúrias alianças que realizou para chegar ao poder e dilapidação pública e a oferta desgarrada dos bens públicos feitas para as hostes privadas e terceirizadas durante os seus oito anos de governo em Pernambuco.


No entanto, foi agora, como Senador, que Jarbas Vasconcelos revelou a sua mais encardida e encarniçada faceta como homo novus da associação dos optimates da resistência oligarquia brasileira. Uma faceta de que vai de escravocrata a vampiro.Mas como? Mas porque? Alguns perguntariam e gostariam de saber. Então vamos aos fatos e as apreciações que deles podemos fazer. Primeiramente, porque o Senador Jarbas Vasconcelos hoje se revela um escravocrata? Para responder a esta pergunta basta relembrar um fato recente e a postura do Senador em relação ao mesmo. Trata-se da reação senatorial de Jarbas Vasconcelos em relação aos trabalhos desenvolvidos pela Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Principalmente, quando esta Secretaria, através dos auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), fiscalizaram as condições de trabalho e intervieram na fazenda Pagrisa, voltada para a lavoura da cana-de-açúcar e localizada em Ulianópolis (PA), e lá libertaram 1.064 trabalhadores que trabalhavam na condição de escravos.


A reação do Senador Jarbas Vasconcelos foi a de se associar a Senadora Kátia Abreu (DEM-TO) para desqualificar a operação de libertação de escravos, proferir ameaças aos trabalhos realizados pelos fiscais do trabalho, solicitar a abertura de um inquérito na Polícia Federal para verificar os procedimentos adotados pelos fiscais do trabalho na Pagrisa, tecer loas a administração desta empresa e produzir a quimera de que a mesma tratava de forma civilizada a comunidade de trabalhadores rurais. Contudo, todo este exercício de mistificação foi desmontado pelas imagens que rodaram as telinhas quentes dos canais de TV, mostrando, para quem quisesse ver, que os trabalhadores da Pagrisa tinham condições de trabalho similares ou piores as de muitos escravos das senzalas do Brasil escravista.


O Senador Jarbas Vasconcelos não se fez de rogado em integrar a Comissão Temporária Externa do Senado Federal, articulada pela Senadora Kátia Abreu (DEM-TO), e visitar a Pagrisa e lá, perante a imprensa de plantão da mídia nativa oligárquica, verter mistificações capciosas e jactâncias retóricas para inabilitar o trabalho dos auditores fiscais do MTE. Comportou-se como um senhor escravocrata prestando solidariedade e ofertando serviços a outros senhores escravocratas. Em momento algum, Jarbas Vasconcelos expressou qualquer indignação, por menor que fosse, em relação às condições de trabalho dos 1.064 trabalhadores que viviam e trabalhavam como escravos na fazenda Pagrisa e, muito menos, procurou se inteirar da violência e das ameaças perpetradas por fazendeiros contra os auditores fiscais do trabalho, que inclusive já haviam produzido a chacina de três auditores e um motorista do MTE, no dia 28 de janeiro de 2004, em Unaí (MG), durante uma fiscalização de rotina.


Jarbas Vasconcelos abraçou, isto sim, a causa da Senadora Kátia Abreu (DEM-TO), uma velha conhecida no Tocantis por ser a maior opositora ao combate do trabalho escravo contemporâneo na região e que já havia se destacado, quando deputada federal, pela defesa encarniçada dos produtores rurais flagrados cometendo esse tipo de crime e pela sua luta contra a aprovação de leis que contribuiriam para a erradicação do trabalho escravo contemporâneo.


Ao Senador Jarbas Vasconcelos, juntaram-se, na Comissão Temporária Externa do Senado Federal, figuras do calibre de um Romeu Tuma (PTB-SP), o xerife do DOPS e da Polícia Federal durante a Ditadura Militar, o Sr. Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o lobista-mor dos empresários e latifundiários do Pará e o Cícero Lucena (PSDB-PB), o homem que conhece como ninguém o desvio de verbas na Paraíba. Este último Senador, é bom destacar, foi preso durante a Operação Confraria, da Polícia Federal, em 2005, quando era secretário de Planejamento e Gestão do Estado da Paraíba, e responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal por crimes contra a administração pública. Eis portanto a facção a quem o Senador Jarbas Vasconcelos se associou para exercer a sua índole escravocrata.


Agora, após a votação no Senado Federal para aprovação ou não da CPMF, o Senador Jarbas Vasconcelos revela a sua faceta de vampiro, como aquele que suga os recursos destinados a saúde pública no Brasil, impedindo-a de se reestruturar e avançar na oferta de serviços públicos de saúde mais condizentes e de qualidade para a população brasileira. Pois ao votar contra CPMF, o Jarbas Vasconcelos, junto a outros a quem se associou para este fim, inclusive todos aqueles que com ele integraram a famigerada Comissão Temporária Externa do Senado Federal em defesa da Pagrisa, procuraram criar obstáculos e instituir meios para impedir a execução de políticas públicas capazes de resolverem os problemas sociais e econômicos da grande maioria da população brasileira.


Mas, o desleixo para com a saúde pública, a assistência médica pública e os serviços de medicina preventiva não é uma marca nova no perfil político do Senador Jarbas Vasconcelos. Basta, para os mais atentos, observar a depredação dos hospitais e serviços de saúde, a pauperização das condições de trabalho na saúde pública e a negligencia premeditada para com a medicina preventiva que o ex-governador perpetrou em Pernambuco durante os seus oito anos de governo (1999 a 2006). Foi neste período que o sistema de saúde pública de Pernambuco praticamente entrou em colapso, enquanto o sistema de saúde privado crescia incomensuravelmente a custa de generosos incentivos e subsídios do governo estadual, constituindo, dessa forma, no terceiro maior pólo médico do país e do qual o ex-governador tanto se orgulha. Além disto, é bom lembrar a proliferação de planos de saúde de toda ordem no Estado de Pernambuco e a omissão do governo estadual à época para as falcatruas e manobras lesivas desses planos para com os seus clientes. A título de exemplo, basta lembrar o caso da ADMED, no qual o ex-governador se fez de cego e mudo para o que ocorria.


Ou seja, o Senador Jarbas Vasconcelos votou contra CPMF para continuar a viabilizar a expansão do sistema de saúde privado em detrimento do sistema de saúde público e para que cada vez mais as empresas de planos de saúde possam ocupar o lugar do SUS, transformando a demanda por serviços de saúde e a medicina em mais um produto de mercado regulado pela lei do quem pode pagar para ter e pelo controle oligopolista que impõe preços e condições orientados pela suas perspectivas de lucros.


A postura política do atual Senador Jarbas Vasconcelos poderia muito bem ser explicada a partir de uma palavra que o Senador tanto gosta de usar quando dirige críticas aos governos Lula e aos que a este governo se aliam. A palavra no caso é soberba, utilizada inclusive durante o discurso do Senador na noite de 12 de dezembro de 2007, quando do seu discurso na sessão do Senado Federal para aprovação ou não da CPMF e em entrevistas posteriores a mesma. É mesma palavra que a oligarquia patrícia, na Roma Antiga, utilizava para qualificar os reis, tribunos, cônsules, legisladores e magistrados que propunham reformas políticas, sociais e econômicas para melhorar a situação econômica e social dos plebeus em Roma e, por tabela, retirar e/ou alterar os privilégios dos patrícios.


Desta forma, os patrícios qualificaram Tarquino de “Soberbo” por este querer promover uma integração dos plebeus a comunidade política de Roma. Na mesma toada, séculos depois, os patrícios voltaram a qualificar de soberbos os irmãos Graco por querem repartir com os sem terras da época as terras públicas apropriadas ilegalmente pelos patrícios e, no último século da República Romana, os optimates, partido político composto por todos aqueles patrícios incumbidos de promover uma resistência oligárquica as reformas sociais e econômicas em benefício do povo romano, classificaram todos e qualquer líder político que se insurgia contra os seus privilégios de soberbo.


Nestes termos, a soberba proferida pelo Senador Jarbas Vasconcelos tem o mesmo significado dado pela oligarquia romana: a desqualificação dos que propõe reformas políticas, sociais e econômicas para melhorar a situação econômica e social dos brasileiros e retirar e/ou alterar os privilégios dos oligarcas das terras do Brasil.Só isto explica o trajeto de Jarbas Vasconcelos para a condição de escravocrata e vampiro. Só isto nos esclarece a sua condição de homo novus da oligarquia brasileira. Só isto elucida a razão pela qual podemos denominar Jarbas Vasconcelos de o “Soberbo”, aquele que se acha grandioso, sublime, magnífico e que se acha mais elevado que os outros.

Avé Senador Jarbas Vasconcelos, o Soberbo.




Luís Manuel Domingues é Historiador, com Doutorado pela UFPE e lecionando no Ensino Superior na área de História Antiga e Contemporânea. (luismdomingues@uol.com.br)

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